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Quarta-feira, 21 de agosto de 2019

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Crise no transporte rodoviário leva mais de 30 empresas pedirem recuperação judicial em Mato Grosso

Da Redação - Viviane Petroli

05 Out 2015 - 08:00

Foto: Lucas Ninno/GCom-MT

Crise no transporte rodoviário leva mais de 30 empresas pedirem recuperação judicial em Mato Grosso
O ano de 2015 está sendo de dificuldades para o setor do transporte rodoviário mato-grossense e brasileiro. Desde janeiro mais de 30 empresas do ramo do transporte de cargas entraram na Justiça com pedidos de recuperação judicial em Mato Grosso. O segmento atribui à situação vivia ao governo federal que vem elevando as taxas de juros e os aumentos de preço no óleo diesel, por exemplo.

Entre fevereiro e abril, duas greves dos caminhoneiros foram realizadas em Mato Grosso e alguns estados do Brasil. Na primeira paralisação, que iniciou após o Carnaval e durou até a segunda semana de março, diversos quilômetros de caminhões parados foram registrados em Mato Grosso, vindo a faltar alimentos, gás, água mineral e combustível em alguns municípios.

Leia mais:
Mais duas transportadoras entram em recuperação com dívida de R$ 8,6 milhões

Diversas reuniões com o governo federal na época foram realizadas, porém, segundo a categoria nada foi cumprido, nem mesmo a isenção de PIS/Cofins sobre o óleo diesel, que chegou a ser aprovada pela Câmara Federal e o Senado e posteriormente vetada pela presidente Dilma Rousseff. O veto, inclusive, foi mantido no último dia 22 de setembro pelos deputados federais e senadores.

Em 2015, de janeiro a setembro, o óleo diesel já subiu 14,17% somente nas distribuidoras.

De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado de Mato Grosso (Sindmat), Eleus Vieira de Amorim, as dificuldades do setor de transporte rodoviários de cargas a cada dia se agravam e “o setor vive, hoje, uma crise sem fim”, tanto que mais de 30 empresas do ramo já solicitaram na Justiça recuperação judicial. Algumas transportadores possuem sozinhas dívidas que somam mais de R$ 8,4 milhões, como o Olhar Jurídico revelou recentemente.

Confira entrevista do presidente do Sindmat ao Agro Olhar:

Agro Olhar – No início deste ano tivemos duas paralisações dos caminhoneiros, sendo uma entre fevereiro e março e outra em abril. Como está trabalhando hoje o setor do transporte de cargas?

Eleus Vieira de Amorim – O setor vive, hoje, uma crise sem fim. O governo federal através de toda a sua carga tributária e aumento de impostos ele tem feito com que o setor venha a se afundar cada vez mais. O número de recuperações judiciais a cada dia aumenta. Nos últimos três a quatro meses temos informações de mais de 30 transportadores que entraram com pedidos de recuperação judicial. Isso significa o quê? Que o setor está em crise.

Agro Olhar – Essas recuperações judiciais são de empresas de pequeno, médio ou grande porte?

Eleus Vieira de Amorim – O setor do transporte é formado por uma cadeia de segmentos. São carga fracionada, transporte de grãos, transporte de combustível, carga frigorificada e carga viva. Esses segmentos todos entraram em crise por completo. Não existe um que se possa falar que esteja bem. Todos estão em crise.

Agro Olhar – A crise que o setor vive em 2015 é decorrente a estas questões do governo federal, com aumento de tributos, aumento de combustível, reduções passadas do IPI para caminhões e Finame e hoje o transportador não está conseguindo pagar suas despesas?

Eleus Vieira de Amorim – Na realidade o Brasil hoje em matéria de tributos está sobrecarregado. O segmento do transporte rodoviário ele é o líder no Mundo. Hoje, em nenhum país há uma carga tributária maior que a do Brasil para o setor do transporte. A questão do Finame foi mais uma questão eleitoreira. Na época a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula fizeram aquela maravilha que era o quê: financiamento subsidiado, juro de Finame lá em baixo. Isso acarretou um grande volume de veículos na praça e deu no que deu hoje. Os bancos tomando, os autônomos perdendo seus bens, muitas empresas que não tinham cálculo de frete e não tinham uma lógica de calcular se endividaram. Hoje, com excesso de veículos no mercado deu a crise que deu. A culpa disso tudo simplesmente é do governo.

Agro Olhar – E os fretes como estão hoje?

Eleus Vieira de Amorim – O frete hoje, principalmente no setor de grãos, ele é de livre mercado. Então, é pela lei da oferta e da procura. Mais caminhões na praça automaticamente o frete diminui. Falou caminhão o frete aumenta. Esse é um segmento (grãos) que tem esse tipo de procura. Já os outros segmentos possuem uma pontuação de se tentar repassar alguma coisa. Então, hoje tem essa diferenciação.

Agro Olhar – Que impactos que estas empresas que estão em recuperação judicial podem trazer para Mato Grosso, que é grande produtor de grãos, caso não consigam se recuperar e vir a fechar?

Eleus Vieira de Amorim – Os impactos são muito grandes. Na realidade o grande parceiro do produtor, do industrial, de todos os segmentos é o transportador. Nós somos o elo principal de tudo aquilo que se produz. Uma recuperação judicial de uma grande empresa ou de várias empresas isso acaba impactando depois em toda a cadeia logística. Isso sim é um mau muito grande. Nós temos falado muito que não é bom para o estado, não é bom para toda a cadeia produtiva que o setor do transporte entre em parafuso.

9 comentários

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  • JORGE ANTONIO
    21 Out 2015 às 10:25

    pois é no final de 2013, o transporte que é meu ramo ja dava sinais de excesso de veiculo, e como é lei da oferta e procura era visto que viria redução de frete, mas como o assunto e recuperação judicial engraçado é que mesmo com a economia e o setor apresentando crise compraram muitos veiculos a poucos meses atraz e agora estão pedindo recuperação como se as dificuldades aparesece do nada, mas é incrivel como o capital é bem pequeno e a divida milionaria, melhor autoridades prestarem atenção nesta enxurrada de recuperação judicial. no setor de transporte.

  • cidadão
    06 Out 2015 às 07:18

    poderia passar a lista com os nomes dessas empresas isso sim.......

  • Renilson Brito
    05 Out 2015 às 22:30

    No meu ponto de vista é diferente faltou criterio ao bancos fornecedores dos credito. Onde para aprovar credito foi feito cadastro maqueados relaçao de faturamento de valores Bruto que nao convia com verdade,entao meu colegas se os bancos for apurar esses cadastro hoje protocolado nos banco sao todos maquiados ou seja contaminou ate mesmo frotista que tinha pés no chao. Agora vamos recomeçar quem tem 10 fica com 3 que seja quitado se isso acontecer em breve estaremos todos felizes . Isso vale para todos esse recado

  • Eduardo
    05 Out 2015 às 13:00

    No meu ponto de vista o cenário para o transporte ainda não chegou ao fundo do poço. Com o dólar alto, forçando os preços de Diesel, pneus e todos os derivados do petróleo, enfim todos os custos aumentando, juntando com a inércia da economia, a tendência é só piorar. Estudiosos em economia falam que o Brasil só vai começar a se recuperar em 2017 se "toda a política e ajustes" forem feitos de maneira 100% correta. Com esse governo???Duvido. Para o PIB começar a ser positivo só 2022. Indústrias e produtores começarem a quebrar e não da pra transportar o que não se produz e não se consome. Onde toda essa frota que foi colocado no mercado vai trabalhar? Custos subindo + frete praticamente estático = quebradeira geral.

  • cidadão
    05 Out 2015 às 12:12

    para quem acha que transportadoras ganham muito, e que monopolizam os fretes,porque não abrem uma? acha que a despesa e baixa? Sr Jose da Silva Marinho ..para de puxar por empresas cadastra seu caminhão e puxa direto da fonte..e no dia que levarem 30 dias pra te pagar..ou perder a carga quero ver o que o senhor vai fazer...e so uma sugestão..porque a grama do vizinho e sempre mais verde...porque ficamos cuidando da grama dele e esquecemos de jogar agua na nossa....

  • Jose da Silva Marinho
    05 Out 2015 às 09:51

    A crise dessas empresas na maioria das vezes é culpa delas mesmas, a falta de administração aliada ao "olho gordo" se transforma em crise em qualquer ramo. Essas mesmas empresas que hoje pedem socorro financeiro são as mesmas que monopolizaram os fretes no estado e causaram grandes danos para os que tem apenas 1 caminhão!

  • DEDE
    05 Out 2015 às 09:04

    mais as autoridades nao estao nem ai pro trabalhador e muinto manos pro motorista do brassil e um coverno mediucre e iresponsavel cade as paradas de descanso do caminhoneiro so na conversa por q nem no papel esiste uma mentira atras da outra e eles tem q para em definitivo ai nao resolve algo se nao as empresas vao quebra

  • Edio Moreira de castro
    05 Out 2015 às 08:57

    No meu modo de pensar, respondendo o comentário do Juca do pequi. Não é por falta de administração e sim por falta de união dos próprios empresários. Até 2 anos atrás só tinha gente do fracionado no sindicato da classe depois disto que foi colocado o Claudio Rigatti lá. Mas não mudou muita coisa. Eu fui em várias reuniões. Mas o que vemos é que ninguém se unem. Não adianta ficar brigando em reuniões. Quando eu fui pra Brasília assistir a votação do refinanciamento dos finames e conversando com um executivo de um grande banco e o mesmo me relatou o seguinte: nenhum banco privado vai fazer isto Eu perguntei omporque de não fazer Ele me respondeu assim se não consegue pagar o novo, vaimpagar depois de velho!!! Mas pra minha surpresa, coloquei isto no grupo e apareceu alguém e me falou o seguinte: cowuinho, como vc consegue ser tão desinformado assim? Mas agora eu te pergunto: este rapaz foi em alguma reunião em Brasília? Será se ele realmente pode provar se é informado? Alguém conseguiu fazer o refinanciamento no banco privado?

  • Juca do Pequi
    05 Out 2015 às 08:20

    Quando a primeira empresa do ramo pediu recuperação judicial, a maioria das pessoas disseram que isso era falta de administração dos diretores, enquanto eu dizia ser o alto custo para manutenção das empresas, principalmente pelo combustível, energia elétrica e impostos em MT serem os mais caros do Brasil. E agora com mais de 30, o que têm a dizer? heim?

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