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Domingo, 20 de outubro de 2019

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Chegada de Ibis e Slaviero preocupa setor hoteleiro em Cuiabá e hospedagem deve cair 14%; entenda

Da Redação - André Garcia Santana

19 Jan 2018 - 15:55

Foto: Reprodução/Divulgação

Chegada de Ibis e Slaviero preocupa setor hoteleiro em Cuiabá e hospedagem deve cair 14%; entenda
O discreto crescimento de 4% na ocupação de leitos de hotéis, registrado em 2017, foi ofuscado pela preocupação do setor com a inauguração de três empreendimentos de grande porte, previstas para 2018 e 2019 em Cuiabá. Equacionando, excesso de oferta, falta de demanda e problemas como os altos preços das passagens para a Capital e escassez de eventos, o cenário que se delimita como “assustador”. Assim, com as novas entradas, que correspondem a 543 quartos, os hotéis voltariam a amargar baixas nas hospedagem, mesmo com crescimento de 7% esperado para este ano. A expectativa de queda é de 14% entre este e o próximo ano. 

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Assim, para o período a Associação Brasileira de Indústrias de Hotéis de Mato Grosso (ABIH-MT), prevê média de ocupação de apenas 44,48% entre os 3312 leitos dos estabelecimentos espalhados pela cidade. A estes serão somados os quartos das bandeiras Slavieiro, próximo ao Círculo Militar, Ibis, em frente ao Shopping Estação e Mercure ou Blue Tree, ainda a serem definidas.

A ocupação média anual de 55,12% registrada no ano é então 4% maior que em 2016. A porcentagem acompanha também uma leve melhora na média diária, que saiu de 202,00 para 207,00 entre os dois anos. Isso porque os hotéis vêm adotando estratégias, alguns diminuindo preço e outros aumentando, demonstrando ainda uma indecisão muito latente no mercado.  

“O Slavieiro do círculo militar já está pronto e os outros dois estão em construção. Então esse ano será possivelmente bom, considerando certa melhora econômica e a entrada de um hotel. Em 2019, contudo serão três empreendimentos de grande porte e a previsão de uma nova crise. Se não houver melhora na economia e nas condições de se chegar a Cuiabá, o cenário fica um bocado assustador”, explicou o presidente da ABIH-MT, Bruno Delcaro em coletiva concedida nesta sexta-feira (19).

O presidente da ABIH-MT, Bruno Delcaro e a diretora de operações, Vânia Misura. 
De acordo com ele, a única maneira de o setor absorver a oferta é aumentando a demanda. Para isso, além de uma melhora nos preços das passagens, a cidade também precisaria se estabelecer como um polo de eventos. “Esses recursos são captados com dois ou três anos de antecedência, então grandes mudanças não serão feitas até o ano que vem. Já temos o problema. O que pode ser feito é trabalhar o destino Cuiabá como destino de lazer. A passagem pra cá é muito cara e perdemos voos diretos.”

Embora não se tenha um cálculo dos prejuízos, Bruno reforça que, com menos gente vindo pra cá, perdem os hotéis, a cadeia hoteleira e o município. “Significa menos gente em hotel, menos ISS recolhido. Precisamos que olhem para o aeroporto, que encontrem uma maneira de baixar o valor da passagem. O Estado tem que trabalhar o turismo de lazer como algo potencialmente enriquecedor, como é o agronegócio. As atenções devem ser distribuídas, porque essa é uma imensa fonte de renda.”

Por que os turistas não ficam na Capital?

A diretora de operações, Vânia Misura, destaca que os turistas que seguem para destinos como Chapada dos Guimarães, Pantanal e Nobres, precisam sentir vontade de ficar também por aqui. “Muita gente passa, mas não fica uma noite sequer. É importante considerar que a Capital que produz tanto turismo quanto negócio.”
Centro de Cuiabá - Rogério Florentino 
O secretário adjunto de Turismo Luiz Carlos Nigro, destaca que Mato Grosso foi muito “judiado” pela Copa. “Criou-se uma expectativa gigantesca, muitas obras de turismo não andaram e a imagem de Mato Grosso foi desgastada na área de congressos e eventos. O aeroporto era péssimo, pra chegar ao centro era muito difícil. Agora estamos retomando essas obras. Então agora com a casa quase arrumada, temos que trabalhar a reconstrução da nossa imagem.”

Para a missão, a aposta é triplicar as rodadas de negócios na Feira Internacional de Turismo (Fit), que contará com a vinda de mais jornalistas e conta com o apoio do Ministério do Turismo, da EMBRATUR.

De acordo com Nigro, serão investidos este ano mais de R$ 100 milhões em obras e infraestrutura, promoção e divulgação. “Hoje o turismo de negócio é um grande mercado para Cuiabá e Várzea Grande. Então, Como fazer as pessoas pararem em Cuiabá? Precisamos criar essas situações. Já temos o Bulixo, a Casa do artesão, a Orla do Porto, o Parque das Águas. A cara de Cuiabá mudou nos últimos anos. Por isso é importante trazer os operadores, porque agora precisamos do produto na vitrine nacional”, conclui.
 

19 comentários

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  • lugar comum
    23 Jan 2018 às 15:13

    A vinda de grandes redes de hotel para uma capital é uma notícia para ser comemorada ou lamentada? Investimentos desse porte na cidade deveriam gerar preocupação ou ser comemorados? Quem encomendou esta reportagem?

  • turista
    22 Jan 2018 às 06:29

    Estive e um hotel a beira mar, excelente serviço, ótimo café da manhã, ao lado de uma galeria fantástica, a poucos metros do shopping Vitória, a diária para tres pessoas saiu por R$140,00, fiquei tres dias. Estive no shopping Vitória e verifiquei que os preços são bem menores que os praticados aqui, e ainda, que existem inúmeras franquias e marcas que não encontramos em nenhum Shopping de Cuiabá ou Várzea Grande. Considerando que estive na alta temporada na praia, os preços estavam proporcionais ao benefício. Cuiabano não consegue frequentar as peixarias e pousadas locais, pois os preços sã absurdos e a estrutura precária. Sem falar que o peixe do rio, sumiu. Bom dia!

  • Sergio
    21 Jan 2018 às 23:35

    O motivo desda rede estarem se instalando em Cuiabá com certeza não a falta de ocupação, já perceberam que esta baixa taxa de ocupação é em função dos preços abusivos praticados aqui, Cuiabá é um dos locais mais caros de hotel do país, serviço de 2 estrelas por preço de 5 estrelas. Quem venham e que a concorrência seja benéfica ao consumidor.

  • Vani
    21 Jan 2018 às 08:26

    Turismo matogrossense caríssimo..

  • Luis
    20 Jan 2018 às 20:04

    Além de baixar o preço das passagens, tem que baixar o valor das diárias dos hotéis que estão mais caras que em hotéis da Av Paulista em SP, sendo que Cuiabá não oferece nenhum atrativo, por isso nenhum turista quer pernoitar aqui e ninguém quer promover envento aqui, qualquer lugar do Brasil a diária é mais barata e tem mais atrativos.

  • Cuiabana Nata
    20 Jan 2018 às 13:37

    Cuiabá está seguindo o estilo Rio de Janeiro, Cidade maravilhosa, Mais no fundo é cidade horrorosa, vende-se o que não se Tem, tudo lindo, tudo maravilhoso, Mais com os trabalhos dos editores fica fácil, maquiar a verdadeira realidade que se tem na cidade lamentável.

  • Paulão
    20 Jan 2018 às 11:16

    Com tanto leito Sobrando e os preços são os maiores do pais, quem já foi a são paulo sabe que o preço é o mesmo daqui, porém lá tem mais de 300 eventos por dia e a ocupação é quase 90%. e Cuiabá o que oferece?? aeroporto o pior do pais a mais de anos, ruas esburacadas e sem segurança, peixarias carrisimas. não tem como prosperar.

  • João Marcos
    20 Jan 2018 às 10:47

    O problema de Cuiabá é que se tornou terra de gente malandra. Aqui as pessoas chegam para enriquecer, mas não para trabalhar. Tem gente que abre uma loja ou um restaurante e acha que vai enriquecer. Nenhuma loja em shopping e na rua fornece cupom fiscal e nem a Secretaria de Fazenda tem atitude para cobrar isto. Tem muito aventureiro caipira que acha que está trazendo "novidades" para os supostos idiotas daqui. Então o comércio local se tornou muito ruim, com mau atendimento (muita gente despreparada e não se sabe como consegue emprego. Muita arrogância no comércio (a Praça Popular virou negócio de uma empresa só, que expandiu para o Parque das Águas (comida péssima e música sertaneja de baixa qualidade que não acaba mais). Está dificil morar em Cuiabá. Passear, só se for por necessidade. Não tem nada de excepcional hoje na cidade que mereça uma viagem e uma estadia. Ignorância também é ruim: no São Gonçalo Beira Rio o meu restaurante predileto passou a vender comida feita com peixe de tanque vindo de Sorriso (eu, cuiabano adotivo, comer peixe de tanque, alimentado com ração? Nunca).

  • O Vigilante
    20 Jan 2018 às 09:56

    A questão é que aqui se explora o TURISTA e não o TURISMO. Cuiabá tem pouquíssimas atrações e nenhuma delas oferece o mínimo de atendimento com qualidade e preço justo. As atrações do entorno (principalmente Chapada dos Guimarães, Nobres e Pantanal) possuem pouca infra-estrutura e serviços públicos péssimos e os hotéis e passeios cobram valores altos pela qualidade. Assim, o turista não fica tentado a voltar, já que a relação custo-benefício não é boa.

  • Fernandao
    20 Jan 2018 às 09:45

    Bulixo, Casa do Artesão, Orla do Porto, Parque das Aguas, tai um comentário de alguém da Corte Cuiabana que fazem Projetos de dentro das suas salas com ar condicionado moderno e não sujam as solas dos sapatos para saber o que realmente acontece na cidade... Estão preocupados em saber que vinho combina com o próximo evento que será inventado...

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