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Terça-feira, 07 de abril de 2020

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Famato orienta sobre cuidados com o nascimento dos bezerros de corte

Ascom Famato

06 Out 2015 - 08:49

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) com o objetivo de contribuir para maior produção da pecuária de corte, produtividade, diminuição da mortalidade e aumento da taxa de crescimento, programou uma série especial de informações de serviços de interesse dos pecuaristas do Estado. O primeiro tema da série são os cuidados que o produtor rural deve ter com o nascimento do bezerro de gado de corte.

O médico veterinário e analista de pecuária da Famato Marcos Coelho de Carvalho orienta o produtor a criar um local dentro da propriedade, chamado de piquetes de maternidade, onde as vacas são levadas quando estão próximas do momento do parto. Segundo Marcos, é necessária a preparação de um ambiente saudável com pastagem de boa qualidade, local sombreado, seco e limpo, água de boa qualidade e minimizar os fatores estressantes. No momento do parto, vaca e bezerro passam por um processo de reconhecimento através do cheiro e lambidas. Em áreas com muito movimento, as vacas ficam estressadas e inquietas podendo avançar ou fugir interrompendo o contato com o bezerro e deixando de cuidar da cria.

O piquete maternidade deve ser acompanhado por uma pessoa capacitada que será responsável pelo bom acompanhamento dos partos e dos primeiros dias de vida dos bezerros dando todo suporte necessário. Marcos alertou que as vacas levam em média quatro horas para parir, e as novilhas seis horas. Somente é permitido interferir no parto após esse tempo considerado normal, exceto casos de anormalidades.

Ao nascer, o bezerro deve se alimentar do colostro (primeira secreção da glândula mamária após o parto). O colostro possui células de defesa, grande quantidade de fatores de crescimento, rico em gordura, fonte de energia e promove a termorregulação do bezerro. "É a transferência da imunidade da mãe para o bezerro, já que essa imunidade não é transferida pela placenta do animal, assim como de humanos".

Durante as visitas ao piquete maternidade é importante observar se o filhote enfrenta dificuldades para mamar. "Se o úbere da vaca estiver cheio e o bezerro estiver de barriga vazia, é sinal de que não mamou. Isso acontece com mais frequência em vacas com tetos grandes ou bezerros prematuros", frisou Marcos.

O profissional ressaltou que os bezerros que não ingerirem o colostro nas primeiras 24 horas, tempo em que o intestino está receptivo à passagem de imunoglobulinas, ficam suscetíveis à mortalidade e morbidade. A imunidade gerada pela ingestão do colostro garante proteção ao animal até que ele próprio produza suas células de defesa, quando seu organismo estiver maduro imunológicamente, o que deve acontecer após 4 a 6 semanas de vida.

Por precaução pode-se criar um banco de colostros congelados em porções individuais de 2 litros, devidamente identificados com a data de congelamento e validade de um ano. Em caso de necessidade, basta esquenta-lo em banho-maria com água a 45-50°C.

Outra prática classificada pelo analista de extrema importância é a desinfecção do umbigo do bezerro com tintura de iodo (10%). Marcos orienta que o iodo seja colocado em um frasco de boca larga e emborcado sobre o coto do umbigo. Com a cura do umbigo realizada de maneira correta, isso impede que bactérias invadam órgãos vitais dos bezerros como fígado, bexiga, rim, artérias e veias que irrigam a parte posterior do animal. Em caso de o procedimento não ser feito, o animal fica vulnerável a doenças que causam a morte ou lesões severas, como a caruara (doença que causa inchaço e paralisia das articulações dos bezerros). Não é recomendado usar apenas o mata-bicheira para curar o umbigo, pois este não impede a contaminação bacteriana, somente auxilia no controle da bicheira.

No instante da cura do umbigo o produtor pode aproveitar para fazer o sistema de identificação, colocando um brinco adequado na parte da frente da orelha, com o número do bezerro, e atrás deve escrever o número da vaca com uma caneta especial para isso.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) também oferece cursos de diretrizes para o desenvolvimento da pecuária de corte. Os produtores rurais podem procurar o Sindicato Rural mais próximo para mais informações.

Os próximos temas abordados na série serão: estação de monta, vacinação e doenças.

A Famato, entidade de classe que representa 89 Sindicatos Rurais de Mato Grosso, completa 50 anos no dia 16 de dezembro de 2015. Ao longo dessas cinco décadas levantou diversas bandeiras em prol do produtor. Lidera o Sistema Famato, composto pela Famato, Sindicatos Rurais, Senar-MT e o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Essa trajetória é celebrada graças ao trabalho dos produtores rurais e dos colaboradores. Acompanhem nossas redes sociais pelo www.facebook.com/sistemafamato e @sistemafamato (instagram e twitter) #Famato50anos.
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