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Terça-feira, 31 de março de 2026

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em Tapurah

BNDES empresta R$ 1 bilhão para construção de usina de etanol de milho em MT; 1.100 empregos previstos para implantação

Foto: Reprodução

BNDES empresta R$ 1 bilhão para construção de usina de etanol de milho em MT; 1.100 empregos previstos para implantação
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou um financiamento de R$ 1 bilhão para a construção de uma usina de etanol de milho no município de Tapurah, em Mato Grosso.


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O financiamento, conforme informações obtidas pela Folha, foi fechado com a empresa RRP Energia e representa mais de 60% do investimento total previsto na planta.

A unidade terá capacidade para produzir até 459 milhões de litros de etanol hidratado por ano, ou 452 milhões de litros de etanol anidro, o que fará do Mato Grosso um dos principais polos nacionais de biocombustíveis à base de milho.

Os recursos têm origem no Fundo Clima, instrumento federal voltado ao financiamento de projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa, e na linha BNDES Finem, usada para apoiar investimentos de grande porte com crédito de longo prazo.

Na prática, trata-se de um empréstimo, não de subsídio, no qual o banco entra como principal financiador. O uso do Fundo Clima indica o enquadramento do projeto nas políticas de transição energética, porque o etanol é considerado combustível renovável e contribui para substituir fontes fósseis.

"Essa iniciativa está alinhada aos objetivos da Política Nacional de Biocombustíveis e da Nova Indústria Brasil, contribuindo com as cadeias de biocombustíveis para a transição energética e para a descarbonização, evitando a emissão de 309 mil toneladas de CO2-equivalente ao ano", disse à Folha o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Por trás da empresa RRP Energia está o Grupo Piccini, que atua no agronegócio e é controlado pela família do empresário Joci Piccini.

A RRP Energia marca a entrada do grupo no setor de biocombustíveis e reflete um movimento crescente no Centro-Oeste, com a "verticalização" da produção agrícola. O milho deixa de ser apenas uma commodity exportada e passa a ser transformado em energia dentro do próprio estado.

A usina terá capacidade para processar mais de 1 milhão de toneladas de milho por ano, com possibilidade de produzir derivados usados na alimentação animal, além de óleo de milho.

Localizada próxima à BR-163, principal corredor logístico de Mato Grosso, a usina inclui uma termelétrica com capacidade de até 27 megawatts, para suprir a demanda energética da planta.

Durante a fase de implantação, estão previstos 1.100 empregos. A operação deve gerar cerca de 300 postos permanentes.

O avanço do etanol de milho sinaliza uma mudança no setor energético brasileiro. Tradicionalmente dominado pela cana-de-açúcar, esse mercado tem incorporado novas matérias-primas e regiões.

Enquanto a cana segue predominante no Sudeste, com grupos consolidados como a Raízen, o milho ganha espaço no Centro-Oeste, beneficiado pela produção do grão e sua integração com a pecuária. A ideia é que o modelo conecte agricultura, energia e produção de proteína animal.

O grupo Potencial, empresa brasileira do setor de distribuição de combustíveis e do agronegócio, elevou para cerca de R$ 6 bilhões seu plano de investimentos até 2030. A decisão considera a ampliação das capacidades para seus projetos de etanol de milho e da esmagadora de soja que vai atender a sua indústria de biodiesel, conforme disse um alto executivo da companhia à Reuters.

A Potencial, com sede no Paraná, segundo maior produtor brasileiro de grãos, anunciou em agosto de 2025 o projeto de etanol de milho. No entanto, o grupo decidiu mais do que dobrar a capacidade de processamento do cereal em relação aos planos iniciais. Serão 2,6 milhões de toneladas ao ano, considerando que a guerra no Irã, que elevou os preços do petróleo, trará oportunidades para o setor de biocombustíveis do Brasil.

Já a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 65 bilhões. A empresa, uma joint venture entre Cosan e Shell, enfrenta há meses uma crise por causa do endividamento. Em seu pedido, a Raízen culpa as elevadas taxas de juros no Brasil e a situação econômica da Argentina pela crise financeira que a levou a buscar a renegociação de suas dívidas.

A companhia, que atua na produção de etanol e açúcar e na distribuição de combustíveis, produtos e serviços por meio da marca Shell, escolheu a recuperação extrajudicial para preservar caixa para o pagamento de fornecedores e funcionários.
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