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Notícias / Pecuária

Acrimat pede “bom senso à mesa” em meio a tarifaço dos EUA e alerta: medida pode derrubar preço da arroba e não barateia carne no Estado

Da Redação - Rafael Machado

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira, cobrou bom senso e diálogo por parte do governo federal diante do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs uma alíquota de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelo país norte-americano.

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Segundo Pereira, o impacto imediato já é sentido no campo, com frigoríficos suspendendo compras e o setor operando com cautela.
 
"Esperamos que o governo brasileiro coloque o bom senso à mesa. Não é hora de embates ideológicos, e sim de sentar, conversar, com dados técnicos e negociações diplomáticas sérias", defendeu o presidente da Acrimat.
 
Para ele, retaliações com base na chamada "lei da reciprocidade" podem agravar ainda mais o cenário.
 
"Esse jogo de 'aumenta aqui, aumenta lá' só encarece tudo e nos tira do mercado internacional", alertou.
 
A estimativa do setor é que a tarifa, se efetivada, gere perdas de até US$ 1 bilhão apenas nos próximos seis meses, valor equivalente ao que foi exportado para os EUA no primeiro semestre de 2025.
 
"Se o preço da tonelada da nossa carne subir para US$ 8.600 com essa tarifa, o Brasil está fora do jogo. Não conseguimos competir com Nova Zelândia, Austrália, México, Uruguai ou Argentina. Esse valor tira a gente do mercado", comentou.
 
O presidente da Acrimat também explicou que, mesmo com o excedente de carne permanecendo no mercado interno, a medida não deve baratear o preço da carne para o consumidor.
 
"Essa carne vai ser pulverizada durante todo o segundo semestre, que é justamente o período de maior demanda. E a participação dos EUA nas nossas exportações é muito pequena diante dos 10 milhões de toneladas que exportamos anualmente. Não impacta o preço da gôndola, mas o pecuarista sente na hora", afirmou.
 
Segundo ele, o reflexo mais imediato é a desvalorização da arroba do boi.
 
"No mesmo minuto em que sai a notícia, o preço da arroba já começa a cair. E quem paga essa conta somos nós, produtores."
 
Diante do cenário de incertezas, os frigoríficos já interromperam as compras de gado e aguardam os desdobramentos diplomáticos.
 
"É como se fosse um impacto sanitário. Para tudo e vamos ver o que acontece. Eles já fecharam as compras. Agora esperam. A esperança do produtor é que isso se resolva com negociação, com diálogo técnico, e não com política partidária ou ideológica, que é muito ruim para o setor", ressaltou.
 
O cenário também chama a atenção de executivos do setor empresarial. Para Victor Franco Gomides, Diretor da Lince - Grupo Real, o episódio expõe uma vulnerabilidade estrutural que vai além da pecuária. "Do ponto de vista de gestão, setores que dependem de uma única saída ficam reféns de decisões que estão completamente fora do seu controle. A diversificação muitas vezes não é luxo, é uma estratégia que mitiga risco e garante sobrevivência a longo prazo", concluiu.
 
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