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Fábrica em Mato Grosso é incluída em transação de R$ 800 milhões entre gigantes do setor de alimentos

Ana Paula Branco - FolhaPress

O grupo 3 Corações anunciou nesta terça-feira (17) a compra das operações da General Mills no Brasil por R$ 800 milhões, em um movimento que amplia sua presença para além do café.

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A transação inclui as marcas Yoki e Kitano, conhecidas em categorias de produtos como farofa, pipoca de micro-ondas, batata palha e temperos. O negócio ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e outras condições usuais, com expectativa de conclusão até o fim deste ano.

"Com a aquisição, o Grupo avança em sua estratégia de crescimento por meio da diversificação e complementaridade de portfólio. A integração dos novos produtos permite que a companhia atenda a todas as ocasiões de consumo do brasileiro, do café da manhã ao jantar, fortalecendo sua posição como um dos principais players do setor", afirma a 3 Corações, em comunicado ao mercado.

A venda vinha sendo negociada desde 2025, quando a General Mills contratou assessores para buscar interessados. O negócio envolve toda a operação brasileira, incluindo fábricas e a cadeia de suprimentos, com unidades em Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT).

Segundo o grupo 3 Corações, o acordo prevê a manutenção das marcas, buscando o crescimento acelerado do negócio.

Forte no mercado de café, o grupo 3 Corações busca reduzir a dependência de uma única categoria. Fundado em 1959, reúne mais de 30 marcas e está presente em cerca de 600 mil pontos de venda no país. Nos últimos anos, avançou em outros segmentos de alimentos, como achocolatados, refrescos em pó e derivados de milho.

No comunicado, o presidente da empresa, Pedro Lima, afirmou que a operação faz parte do plano de crescimento no setor de alimentos e amplia a presença da companhia "em diferentes ocasiões de consumo".

A aquisição inclui também a estrutura operacional da General Mills no Brasil, com fábricas e distribuição já estabelecidas. Para a 3 Corações, isso significa ganho imediato de escala e capilaridade em novas categorias. O grupo diz que irá manter os funcionários da multinacional.

A operação foi assessorada financeiramente pelo Deutsche Bank e teve consultoria jurídica do escritório Miguel Neto Advogados. Pelo lado da General Mills, o assessor financeiro foi o Goldman Sachs, com assessoria jurídica do KLA Advogados e do Miguel Neto Advogados.

A venda faz parte de uma estratégia mais ampla da General Mills de reorganizar seu portfólio global. Em comunicado, a companhia afirmou que a operação está alinhada ao plano "Accelerate", que prioriza categorias com maior margem e escala internacional, como sorvetes premium, comida mexicana, barras de cereais e alimentos para pets.

As operações da multinacional no Brasil geraram cerca de US$ 350 milhões (aproximadamente R$ 1,7 bilhão) em receita líquida no ano fiscal de 2025. Com a transação, a companhia afirma que terá renovado quase um terço de seu portfólio desde 2018, entre aquisições e desinvestimentos.

A General Mills entrou no país em 2012, com a compra da Yoki por cerca de R$ 2 bilhões, como parte de sua estratégia de expansão internacional. A aquisição ocorreu no mesmo período em que o caso envolvendo Elize Matsunaga ganhou repercussão nacional. O desaparecimento e assassinato de Marcos Kitano Matsunaga, então executivo da empresa, vieram a público dias após o anúncio do negócio.

No início das investigações, chegou a ser levantada a hipótese de que o sumiço pudesse ter relação com a transação - possibilidade posteriormente descartada pela polícia.
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