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Presidente do Cipem defende criação de florestas públicas para concessão e critica ideia de expansão de parques ambientais em MT

Da Redação - Jardel P. Arruda

O presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem), Ednei Blasius, defendeu a criação de florestas públicas passíveis de concessão à iniciativa privada para a realização de manejo florestal sustentável, em substituição à ideia de ampliação de parques de conservação integral no Estado.

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Segundo Blasius, Mato Grosso é hoje o único estado da Amazônia Legal sem concessões florestais, apesar de concentrar parte relevante da indústria de base florestal do país. Atualmente, o Estado possui parques de proteção integral e unidades de conservação, mas nenhuma área destinada ao uso econômico sustentável da floresta.

“Nós somos o único estado brasileiro que não tem florestas públicas para concessão florestal”, afirmou, nesta quarta-feira (28). “Não precisamos de mais parques. Precisamos de florestas para que o setor possa manter a sua cadeia produtiva”, disse.

Parques de conservação ambiental são áreas de proteção integral, onde não é permitida exploração econômica, incluindo o manejo florestal. O objetivo é preservar a biodiversidade com mínima interferência humana.

Já as florestas públicas concedidas permanecem sob domínio do Estado, mas são cedidas por contrato à iniciativa privada, mediante licitação, para exploração controlada. Nesse modelo, é permitida a retirada de madeira e outros produtos florestais sem derrubada da floresta, seguindo planos técnicos rígidos, monitoramento contínuo e fiscalização ambiental.

Blasius citou exemplos como o Pará, outros estados da Amazônia e até países africanos, onde o sistema de concessão florestal é adotado há anos. “A Amazônia tem, o Pará tem, todos os outros estados da Amazônia têm concessão florestal. O Mato Grosso é o único que não tem”, afirmou.

Ele defende que o tema seja incorporado à discussão do zoneamento socioeconômico-ecológico em Mato Grosso. Para Blasius, a criação de florestas públicas para concessão permitiria conciliar preservação ambiental, geração de empregos e segurança jurídica para o setor.

Segundo o Cipem, 100% do manejo florestal realizado em Mato Grosso ocorre em áreas privadas. Blasius destacou que mais de 5 milhões de hectares de floresta conservada no Estado estão dentro de propriedades rurais. “É o produtor rural que conserva essas áreas. [...] “Hoje, todo o manejo é feito em áreas particulares. Precisamos revisar esse modelo e criar florestas públicas para concessão florestal”, disse.

Na prática, isso faz com que a indústria dependa exclusivamente de áreas particulares, o que pressiona a cadeia produtiva e limita a expansão sustentável do setor.

Como funciona o manejo florestal sustentável

O manejo florestal sustentável permite a retirada seletiva de árvores, respeitando ciclos de corte que variam de 25 a 35 anos, conforme a espécie. Apenas uma fração das árvores é explorada por hectare, mantendo a floresta em pé, com regeneração natural e monitoramento técnico.

Antes da exploração, o plano de manejo precisa ser aprovado pelos órgãos ambientais, com inventário florestal, georreferenciamento, controle de volume extraído e rastreabilidade da madeira.
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