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Quarta-feira, 12 de junho de 2024

Notícias | Logística

Executivos das maiores indústrias avícolas analisam os gargalos do setor

A indústria brasileira produtora e processadora de carne de frango está preocupada com a competitividade do setor nos próximos anos. Fatores como a burocracia, falta de mão de obra qualificada e gargalos logísticos foram citados pelos executivos de BRF, JBS e Tyson Foods como risco à competitividade do segmento brasileiro no longo prazo.


– A competitividade não pode estar só lastreada na mão de obra barata e no câmbio – ressaltou o diretor vice-presidente de Finanças, Administração e Relações com Investidores da BRF, Leopoldo Saboya.

Saboya participou do painel "Competitividade e Sustentabilidade no Mundo Globalizado", do Salão Internacional da Avicultura (Siav) e 23º Congresso Brasileiro de Avicultura, promovido pela União Brasileira de Avicultura (Ubabef), em São Paulo. Segundo ele, o tripé da competitividade do setor avícola brasileiro está em uma grande produção de grãos, cadeia integrada (meio ambiente e produção) e grande mercado interno.

– No Brasil, a questão da mão de obra combina ainda uma baixa produtividade, cujo avanço está aquém do esperado. Quando é comparada com outros emergentes, a produtividade também é baixa, mas a evolução é maior – explicou.

Saboya comentou que o setor está com dificuldades para encontrar mão de obra qualificada.

– Temos na BRF milhares de vagas abertas. Esse vazio é causado também pelo momento de pleno emprego no país, mas a maioria é falta de qualificação de pessoal – explicou.

No caso do câmbio, o executivo disse que, hoje, com a valorização do dólar ante o real, é uma "fonte de vantagem competitiva", mas que não é sustentável.

Para o diretor presidente da JBS, Wesley Batista, o Brasil é um País competitivo e vai continuar, mas há questões que precisam ser trabalhadas urgentemente para que não haja perda de posição.

– Aqui tem água, tem terra, tem clima e gente trabalhadora. Nós temos competitividade natural. Mas o Brasil tem perdido competitividade. Se não cuidarmos da burocracia, simplificarmos a legislação brasileira, melhorar a infraestrutura, vai ser perigoso e vamos perder de vez a competitividade – disse Batista.

Ele declarou que o sistema tributário brasileiro está ficando "insustentável".

– As empresas acumulam créditos e não conseguem monetizar. Cada vez mais tem guerra fiscal entre Estados. É complexo operar no Brasil, não é fácil – disse.

Ele revelou que nos Estados Unidos a empresa tem 75 mil funcionários, mas apenas quatro pessoas no Departamento Jurídico e 20 colaboradores na área fiscal, para "uns 20 processos". Já no Brasil, que tem 80 mil funcionários, há 50 pessoas no Departamento Jurídico, 200 na área fiscal, "para uns 20 mil processos".

O vice-presidente da Tyson International, James Young, destacou os gargalos logísticos no Brasil.

– O Brasil precisa melhorar o sistema logístico para avançar em um futuro de qualidade do seu agronegócio. Acredito que nos próximos anos o governo vai conseguir capitalizar os recursos e investir na malha logística – disse.

Em termos globais, o executivo acredita que o setor avícola precisa cada vez mais investir na produção integrada da cadeia.

Grãos

Com relação à produção de milho, Young vê que a demanda do setor sucroalcooleiro pelo insumo, principalmente para a fabricação de etanol nos Estados Unidos, vai mudar "as regras do jogo" atuais, ou seja, será necessária a ampliação da produção do grão. Saboya, da BRF, lembrou que hoje a demanda maior pelo milho para o etanol é o que impulsiona a trajetória de alta das cotações dos grãos.

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