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Dia de Campo apresenta iLPF no bioma amazônico

Ascom Famato

06 Mai 2013 - 15:21

Foto: Assessoria

Dia de Campo apresenta iLPF no bioma amazônico
Integrar produção agrícola com a pecuária e o plantio de floresta é um desafio para os produtores rurais de Mato Grosso. A tecnologia, denominada iLPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), vem sendo testada e desenvolvida na fazenda Gamada, do produtor Mário Wolf, em Nova Canaã do Norte, em parceria com a Embrapa Agrossilvipastoril. No último sábado (04.05), aproximadamente 150 pessoas, entre produtores, estudantes e pesquisadores, tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre esse sistema de produção no Dia de Campo promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e a Embrapa Agrossilvipastoril.

A fazenda Gamada está localizada no bioma amazônico e desenvolve sistemas integrados de produção, sendo uma das Unidades de Referência Tecnológica (URT) acompanhadas pela Embrapa em Mato Grosso. Em uma área de pouco mais de 100 hectares estão instalados sistemas iLPF com diferentes configurações e com quatro espécies florestais distintas: eucalipto, pinho cuiabano, teca e pau de balsa.

Segundo o proprietário, Mário Wolf, a fazenda está indo para o quinto ano de experimento da iLPF. “Somente saberemos se essa tecnologia será viável ou não na conclusão do experimento daqui a dois anos. Mas já existem dados que comprovam que, dependendo da finalidade que você quer dentro da propriedade, ela é totalmente viável, pois permite tanto o desenvolvimento da pastagem quanto da lavoura.

O sombreamento das árvores garante ganho de peso aos animais e a madeira pode ser utilizada na confecção de cercas e produção de lenhas. Acho que realmente é uma nova opção, mas vai depender de cada caso. Cada produtor terá que avaliar a finalidade que quer e vislumbrar o objetivo que almeja para aplicar essa tecnologia”, avalia Wolf.

O presidente da Famato, Rui Prado, afirma que a iLPF é o tema do presente e do futuro da agropecuária de Mato Grosso. “Acredito que é com a interação de todas essas atividades que nós produtores teremos mais sustentabilidade. Essa parceria da Famato com a Embrapa ajudará os produtores a terem mais conhecimento sobre essa tecnologia. Quem ganhará com isso será a sociedade que consumirá alimentos mais baratos e sustentáveis”, opina Prado.

Revolução verde

A produção agropecuária de Mato Grosso cresceu com a monocultura de larga escala, mecanização, melhoramentos genéticos e tudo isso contribuiu para baratear o alimento. Esta foi a primeira revolução verde, segundo o chefe-geral da Embrapa Agrossilvipastoril, João Flávio Veloso Silva. Mas ele não tem dúvidas de que Mato Grosso terá a segunda revolução verde com a iLPF.

“Nós consideramos que estamos na segunda revolução verde que incorpora outros conceitos importantes, como a sustentabilidade tanto do ponto de vista econômico, quanto ambiental e social. Dentro da iLPF temos vários outros sistemas produtivos juntos. Temos uma ambiência melhor dentro da integração do que com as monoculturas e economicamente agregamos mais alguma coisa aos bons resultados da primeira revolução verde. Então, nós temos realmente uma grande expectativa com esse sistema que é um sistema muito importante para a região tropical”, afirma Silva.

Em Mato Grosso, a incorporação de pastagens em lavouras tem sido maior em municípios das regiões norte e nordeste do Estado. Isso se deve, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ao bom rendimento da agricultura e aos resultados negativos da pecuária que sofreu nos últimos anos com a concentração de frigoríficos, preços baixos e aumento do custo de produção. “Esse movimento de mercado, aliado às pastagens já degradadas com formação de 10 anos, tem feito com que a substituição pela agricultura se torne mais intensa. Além disso, os investimentos previstos para as regiões norte e nordeste do Estado, como a ferrovia e as BR’s 158 e 163 trazem outras perspectivas para os produtores e alguns já estão enxergando isso e fazendo novos investimentos”, analisa o gestor do Imea, Daniel Latorraca.

Mas, apesar das boas perspectivas com a iLPF, Latorraca alertou sobre a necessidade de os produtores terem cautela com os investimentos para não darem passos maiores do que as pernas. “As produções de soja e milho, por exemplo, trazem mais riscos para o produtor. Então, converter uma pastagem em agricultura não é simplesmente trocar o pasto pela agricultura e depois tocar. O produtor tem que analisar esses mercados e ver, principalmente, como estão se comportando os preços, que são embasados em bolsas internacionais”, alerta o gestor para que não ocorra nos próximos anos o que aconteceu em 2004, quando os produtores abriram áreas, adquiriram muitos créditos e até hoje têm problemas com dívidas.

Dias de Campo

A Famato e a Embrapa Agrossilvipastoril firmaram uma parceria para a realização de nove Dias de Campo com os temas Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e pecuária leiteira durante o decorrer deste ano. O objetivo é somar esforços para levar conhecimento e novas tecnologias aos produtores rurais mato-grossenses. Os próximos Dias de Campo serão em Juara, Querência e Alta Floresta. Para mais informações, o contato da Embrapa é (66) 3211-4220.

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