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Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

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Burocracia brasileira prejudica mais as exportações do que tarifaço, afirma presidente do Cipem

Foto: Reprodução

Burocracia brasileira prejudica mais as exportações do que tarifaço, afirma presidente do Cipem
O presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem), Ednei Blasius, afirmou que o excesso de burocracia interna, especialmente as instruções normativas do Ibama editadas no atual governo federal, teve impacto mais negativo sobre as exportações do setor madeireiro do que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, sendo o principal fator para a queda de 10% nas exportações em 2025.


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“O que mais dificultou com certeza as exportações foram as burocracias”, disse Blasius ao fazer o balanço do setor, nesta quarta-feira (28). Segundo ele, apesar do tarifaço ter chegado a 50% em determinado momento, o mercado norte-americano reagiu melhor do que outros destinos por comprar produtos industrializados de maior valor agregado, como pisos de madeira maciça e linhas de deck, com destaque para a espécie Ipê.

Em balanço apresentado pelo Cipem, o mercado madeireiro de Mato Grosso movimentou R$ 3,17 bilhões em 2025, com o peso puxado pelo mercado interno. Do total, o interestadual somou R$ 1,46 bilhão (46%) e o mercado estadual R$ 877,3 milhões (27%), enquanto as exportações responderam por US$ 113,01 milhões (3,5%). O setor também declarou 30 mil empregos diretos e indiretos e 1.399 estabelecimentos de base florestal no Estado.

Os dados do Cipem indicam ainda que, no comparativo 2024 x 2025, as exportações recuaram 10,5%, enquanto o mercado interestadual cresceu 18,8%, sustentando o resultado geral, com alta total de 2,86%. Entre os principais destinos externos em 2025, a Índia liderou (US$ 51,29 milhões), seguida por Estados Unidos (US$ 15,00 milhões) e China (US$ 11,18 milhões).

Após articulação com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), federações, o Cipem e o governo de Mato Grosso, parte das tarifas foi revogada. Com isso, as exportações para os Estados Unidos passaram de US$ 13 milhões em 2024 para mais de US$ 15 milhões em 2025, uma recuperação parcial.

Blasius atribui a retração global às instruções do Ibama, vinculadas à CITES, que endureceram regras para espécies como Ipê, Cumaru e Cedro Rosa e impactaram mercados como China, Estados Unidos e União Europeia. “Isso travou a exportação inteira”, afirmou.

Segundo o presidente do Cipem, o excesso de exigências gerou contêineres parados por até 120 dias nos portos e um emaranhado de documentação, levando empresas a redirecionar a produção ao mercado interno.

“Tivemos contêineres parados por 90, 120 dias nos portos, com dificuldade de organização e um emaranhado de documentação para exportar um único contêiner”, disse. “Automaticamente, isso impactou a exportação inteira para a China, para os Estados Unidos e para a União Europeia”, completou. 
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