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PRESIDENTE DA APROSOJA

Beber diz que guerra comercial EUA-China impulsionou recorde de exportação de soja, mas projeta queda na safra

26 Jan 2026 - 14:11

Da Redação - Rodrigo Costa / Do Local - Jardel P. Arruda

Foto: Reprodução/PodOlhar

Beber diz que guerra comercial EUA-China impulsionou recorde de exportação de soja, mas projeta queda na safra
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Beber, afirmou que o recorde de exportação de soja do Brasil no ano de 2025 foi diretamente favorecido pela guerra comercial entre Estados Unidos e China. Segundo ele, a briga comercial abriu espaço para o país conquistar mercados que antes eram dominados pelos norte-americanos.


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“Com certeza, desde 2019, a guerra comercial entre Estados Unidos e China está beneficiando o Brasil em ganhar mercado que antes era norte-americano”, disse em entrevista recente.

Ele relembrou que, em 2019, Mato Grosso cultivava 9,6 milhões de hectares de soja. Com a escalada do conflito comercial e de melhorias logísticas, como a ligação ao porto de Miritituba (PA), a área cultivada no estado saltou para 13 milhões de hectares atualmente, em parte pela conversão de áreas de pecuária em lavouras.

No entanto, o cenário para a safra atual é menos otimista. O presidente alerta que as condições ideais do ano passado, que resultaram na maior safra e produtividade média histórica do estado, não se repetirão.

“Nós temos que fazer um comparativo com o ano passado, considerando que o ano passado tudo conspirou para dar certo, mesmo tendo um atraso no plantio, o clima correu muito bem e nós tivemos a maior safra, tanto em produção quanto em média histórica no estado”, disse. 

“Esse ano não se repete a média que Mato Grosso teve o ano passado, provavelmente nós teremos 10% a menos de produtividade, mas temos um pequeno incremento de aumento de área, então a produção total do estado deve ser menor que o ano passado e a produtividade também”, estimou. 

O desafio atual, segundo o dirigente, não é apenas a produtividade, mas a rentabilidade. Beber destacou que os produtores estão enfrentando preços baixos da soja combinados com custos de produção elevados, impulsionados principalmente pelas altas taxas de juros.

“O lucro hoje, se você considerar só a cultura da soja, o produtor está no negativo, principalmente considerando as altas taxas de juros”, explicou. Ele atribui parte desse cenário ao desequilíbrio fiscal do governo federal, que ele diz que compete por crédito com o setor privado, forçando o Banco Central a manter juros altos para controlar a inflação.

Nesse sentido, o chefe da entidade destacou a relevância da cultura do milho, a qual, de acordo com ele, tem contribuído para a lucratividade dos produtores e prevenindo prejuízos.

“Isso tem encarecido muito o custo de produção do produtor, então hoje é necessário ter duas culturas, que é o milho, que graças a Deus ainda está com preços bons, que está ajudando o produtor a ter uma mínima rentabilidade. Se fosse só a soja, inviabilizaria”.
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