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Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

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PROTECIONISMO AMBIENTAL

Presidente da Aprosoja teme 'nova moratória' e alerta que acordo Mercosul-UE pode prejudicar indústrias pecuária e leiteira

Foto: OlharDireto

Presidente da Aprosoja teme 'nova moratória' e alerta que acordo Mercosul-UE pode prejudicar indústrias pecuária e leiteira
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Beber, afirma que o acordo entre Mercosul e União Europeia tende a causar impactos negativos no curto prazo para as indústrias da pecuária e do leite. Ele também criticou as restrições ambientais impostas pela União Europeia e alertou para os efeitos da EUDR (European Union Deforestation Regulation), que entra em vigor em 2024 e proíbe a importação de produtos oriundos de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020,mesmo que o desmatamento tenha sido legal, segundo as leis brasileiras.


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“Com a importação de produtos sem barreira e eles colocando restrições daqui pra lá, nossa indústria pode ser bastante afetada, principalmente a da pecuária e a leiteira”, afirmou. “Essas restrições ambientais a Europa sempre quer propor. O acordo não desfaz a EUDR, que coloca um marco temporal. Mesmo áreas desmatadas legalmente a partir de 2020, a Europa não compra. Isso desconsidera que o produtor brasileiro tem reserva ambiental dentro da propriedade dele”, criticou.

A EUDR obriga empresas que importam para o bloco europeu a provar que seus produtos. como soja, carne, café, cacau, óleo de palma, madeira e borracha, não contribuíram com o desmatamento ou degradação florestal, legal ou ilegal, após o marco temporal. A regulamentação ainda exige rastreabilidade total via coordenadas geográficas e relatórios de due diligence, impondo penalidades severas em caso de descumprimento.

Beber avalia que, embora as exportações brasileiras do agro para a Europa ainda sejam tímidas, a imposição de regras ambientais unilaterais pode gerar desequilíbrios econômicos. Ele defende que o Brasil não repita o erro da moratória da soja, firmada com empresas exportadoras para garantir restrições ao comércio de grãos produzidos em áreas com desmatamento.

 “O mercado europeu hoje corresponde a 14% das exportações de soja, entre grão e derivados. Não é possível que 90% das empresas sejam proibidas de negociar com esse mercado. É viável atender com rastreabilidade fiscal, via satélite e logística específica, sem causar uma restrição ampla como a moratória vinha causando”, disse.

Beber também destacou que o produtor rural brasileiro é o único do mundo que mantém floresta nativa em pé dentro da própria área agricultável. “Na Europa, já desmataram todas as áreas aráveis. Lá, preservam só onde não dá pra produzir. Aqui, mesmo no bioma amazônico, o produtor é obrigado a preservar 80%”, completou.
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