O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Miranda, afirmou que a crise causada pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos deve acelerar o esforço do Brasil para consolidar novos mercados de exportação para carne bovina. Segundo ele, a conquista do status de área livre de febre aftosa sem vacinação abriu portas para países que antes impunham restrições sanitárias, como Japão, Coreia do Sul e União Europeia.
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“O Brasil foi declarado, e Mato Grosso foi precursor desse projeto, livre de aftosa sem vacinação. Então, com isso, nos possibilita abrir novos mercados para a carne mato-grossense, que é a União Europeia, Japão, Coreia, mercados mais exigentes, que não queriam comprar uma carne que viesse com vacinação. São mercados também que pagam mais”, disse o secretário ao
Agro Olhar.
O tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump prevê uma sobretaxa de 50% sobre diversos produtos brasileiros. A carne bovina, em especial a de cortes industrializados, já havia sido atingida anteriormente por uma tarifa de 10%, aplicada desde maio, como parte da primeira rodada de sanções. A medida provocou cancelamentos de contratos e incertezas no setor exportador.
Segundo César, embora a substituição do mercado norte-americano não ocorra de forma imediata, o Estado já trabalha para atender aos requisitos exigidos por compradores internacionais mais rigorosos.
“É do dia para a noite? Não. Como eu disse, precisa de questões alfandegárias, precisa, principalmente na questão da carne, de vistoria desses países, às nossas indústrias frigoríficas, da forma como é abatido nosso gado.”
Miranda citou, como exemplo, exigências específicas do mercado do Oriente Médio, que incluem protocolos religiosos de abate animal. “Tem essa questão de ser abatido virado para a Meca. [Abate] Halal. [...] É determinado por eles, é fiscalizado por eles. É aquela história: o comprador, você tem que atender o comprador.”
Apesar do impacto das novas tarifas americanas sobre o setor de carnes, Miranda lembrou que os Estados Unidos não são um dos principais parceiros comerciais de Mato Grosso, posição ocupada atualmente pela China e por países do Oriente Médio. Ainda assim, o setor madeireiro e parte da indústria da carne podem sofrer consequências relevantes.