O setor de base florestal de Mato Grosso entrou em alerta após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar um decreto que impõe tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando para 50% a carga total. A medida ameaça diretamente contratos e empregos nas indústrias de madeira do estado, que dependem em parte significativa do mercado norte-americano.
Leia também:
‘MT foi precursor’, diz secretário sobre trunfo sanitário em meio à taxação de Trump
Segundo o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira (CIPEM), somente em 2024, Mato Grosso exportou US$ 67,7 milhões em produtos de madeira, dos quais US$ 12,2 milhões, o equivalente a 18,8% as exportações do setor, foram destinados aos Estados Unidos. A maior preocupação está nos produtos de alto valor agregado, como decks e pisos sob medida, feitos especialmente para o padrão americano e com baixa viabilidade de venda para outros mercados.
A indefinição sobre o alcance da medida agrava o cenário. O decreto assinado por Trump não utiliza a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), dificultando a identificação precisa dos itens tarifados. Equipes técnicas do CIPEM e do Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal (FNBF) analisam os impactos da medida.
Em nota, o CIPEM afirmou que a decisão “compromete contratos em andamento, ameaça empregos e enfraquece a competitividade do setor no mercado internacional”. A entidade cobrou uma reação urgente do governo federal e defendeu a adoção de medidas emergenciais como a criação de linhas de crédito específicas, estímulo à abertura de novos mercados e desburocratização dos processos de exportação.
Mato Grosso possui mais de 500 indústrias madeireiras representadas pelo CIPEM, muitas delas com foco em produtos legalizados e de manejo sustentável. Sem uma resposta rápida, a entidade avalia que parte significativa da cadeia pode sofrer prejuízos irreversíveis.