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Quinta-feira, 11 de agosto de 2022

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Até fazendeiros são contra PCH da Bom Futuro em Primavera: “estão de palhaçada”

Foto: Arquivo

Até fazendeiros são contra PCH da Bom Futuro em Primavera: “estão de palhaçada”
Até mesmo fazendeiros da região de Primavera do Leste são contra a construção da Pequena Central
Hidrelétrica (PCH) Entre Rios, no rio das Mortes. Com potência de 28 megawatts, a usina será construída pela empresa Entre Rios Energia Ltda, administrada pela empresa Bom Futuro Ltda. 

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José Nardes, membro do Sindicato Rural de Primavera do Leste, foi um dos primeiros produtores rurais a criticar a construção da usina, durante audiência pública realizada na última terça-feira (07). 

“Agora eu entendo porque querem taxar a energia solar, se taxassem a energia solar tinha um motivo para fazer”, afirmou. “Nós não fomos consultados, vocês estão totalmente enganados com Primavera, não façam mais isso conosco, não façam nós de palhaço, consultem as bases, eu fiquei sabendo ontem [da audiência]”, afirmou Nardes. 

Marcos Bravin, presidente do Sindicato de Primavera, também não poupou palavras contra o grupo Bom Futuro. Bravin acredita que a PCH vai reduzir o volume de água à disposição dos produtores rurais e, além disso, poderá causar desabastecimento na cidade.

“Aqui em Primavera a gente tem a maior bacia de irrigação do estado de Mato Grosso, desde 2010 estamos buscando trazer empreendimentos para nossa cidade, o nosso município faz a bancada inteira do milho. Estamos com mais de R$ 3 bilhões de empresas na nossa cidade e com essa usina vai ser barrado o crescimento da cidade, Primavera hoje com 40 mil habitantes tem o projeto de crescer de 10 a 15 mil habitantes por ano e nós dependemos de buscar essa água para uma cidade futura de 300 mil habitantes no Rio das Mortes”, afirmou. 

Bravin acredita que a PCH vai travar todas as outorgas de água para as próximas empresas que vão se instalar no município. Nos cálculos do produtor rural, o projeto da Bom Futuro, de R$ 138 milhões, vai barrar um investimento a longo prazo de R$ 3 bilhões. 

O fazendeiro Eduardo Antoneli, que possui propriedade irrigada, diz que a PCH vai fechar a estrada até sua fazenda. O proprietário rural acredita que a capacidade de irrigar sua produção vai diminuir com a PCH. 

“Não vai sobrar um hectare para eu plantar, estou aqui há 46 anos plantando e fazendo a coisa acontecer, agora vem um grupo de fora, uns caras que têm dinheiro para comprar todo mundo, compra governo, compra
Sema, compra o diabo, mas não venha querer tirar coisas que estão trabalhando, sustentando os filhos e dando emprego para os funcionários, sendo honesta a vida inteira”, afirmou. “Nunca nenhum de vocês foram na minha fazenda, invadiram a minha fazenda para fazer esses estudos [da construção da PCH], não tem uma vez que vieram falar comigo”, completou. 

Questão indígena

O diretor executivo do Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), Herman Oliveira, também fez duras críticas ao projeto da Bom Futuro. Segundo Oliveira, que é membro do Conselho de Meio Ambiente de Mato Grosso (Consema), a empresa errou ao criar um “diálogo direto” com as comunidades Xavantes que vivem em regiões próximas da área onde será construída a PCH.

“É o estado brasileiro que tem a obrigação de mediar, eu perguntaria se os empreendimentos em questão, os protocolos de consulta não podem e não são construídos entre o terceiro interessado, que é o empreendedor, e as comunidades indígenas”, afirmou Herman. 

Um dos indígenas ouvidos na audiência pública, Elinaldo Tsereaube, afirmou que o projeto da PCH não é uma novidade e que o impacto para a população indígena é semelhante ao impacto das lavouras de soja e milho. 

“Meu tio está na beira dos Rio das Mortes, todos os dias meu tio e minha primas estão pescando peixes contaminados com veneno”, afirmou. “O Rio das Mortes atravessa e corta a nossa terra, eu peço que vocês estejam na aldeia, para que com as demais lideranças possamos sentar e conversar, ninguém consultou a nossa Terra Indígenas Sangradouro”, afirmou. 

O projeto da PCH Entre Rios ainda vai passar pelo Consema, onde será analisado o pedido de licença prévia para a construção da usina. 
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