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Quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

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Práticas sustentáveis no campo trazem grandes vantagens para seus “early adopters”

Da Assessoria

01 Dez 2020 - 17:30

Práticas sustentáveis no campo trazem grandes vantagens para seus “early adopters”
Não é preciso ir muito longe no passado para se chegar aos tempos onde causas ambientais em geral eram deixadas como a última prioridade tanto do lado dos negócios, quanto dos lados das políticas públicas. À época, uma guia que se provou bastante falha com base em uma busca que priorizava apenas ganhos de curto prazo, e nada mais, levou à acumulação de problemas ambientais que hoje acometem todo o mundo - incluindo o Brasil e a sua população.

Por um lado, as críticas quanto as tentativas de reduzir ou até proibir as emissões de carbono e de outros poluentes em países ainda em desenvolvimento como o próprio Brasil são mais do que razoáveis, considerando que a redução destas emissões pode significar problemas de crescimento econômico no curto e no longo prazo. Entretanto, as evoluções tecnológicas dos tempos atuais mostram que é mais do que possível unir causas sustentáveis com o crescimento que seria presumidamente perdido a partir da redução dessas emissões.

Ao mesmo tempo, as causas sustentáveis tem sido cada vez mais valorizadas pela sociedade em geral. Produtos baseados em produção com práticas sustentáveis, mesmo incorrendo em custos maiores, são a preferência dos consumidores principalmente em países desenvolvidos com quem o Brasil tem relações comerciais bastante fortes. Ao mesmo tempo, esses países - principalmente na esfera europeia - tem reforçado suas regulações para que os produtos produzidos em seus campos, e aqueles que são importados para abastecer a demanda de seus habitantes, adotem tais práticas.

Este fator associado à maior consciência sustentável por parte da população, significa que estas causas e práticas vão se tornar vitais para a manutenção de negócios lucrativos para os produtores rurais de qualquer porte no Brasil. E aqueles que adotarem tais práticas com antecedência, podem acabar conquistando vantagens sobre concorrentes que não tomarem o mesmo caminho.



Práticas sustentáveis para todo tamanho de produção

No mundo dos agronegócios, as práticas sustentáveis talvez se façam ainda mais importantes do que em outros campos econômicos. Considerando a proximidade da atividade em si com o meio-ambiente e os consequentes esforços de preservação da fauna e da flora - além do impacto da atividade pecuária na emissão de poluentes em todo o mundo -, não é incomum ter os olhos do mundo voltados para as movimentações que os agronegócios fazem no Brasil e no resto do planeta.

Essa atenção é uma das principais motivações para que as empresas do meio busquem integrar as práticas sustentáveis em seu dia a dia - mesmo que em escala reduzida para testar os resultados, antes de investir os recursos necessários para uma implementação quase completa ao longo do tempo. Essas práticas podem ser aplicadas já na parte comercial dos negócios, com a política de “comércio justo” que promove preços éticos e padrões socioambientais em uma série de produtos agrícolas vendidos para o exterior; e na produção de gêneros com a permacultura, que procura adotar padrões encontrados na natureza no cultivo de plantas e na criação de animais, ao mesmo tempo que se reduz ao máximo o uso de produtos químicos na cadeia de produção. E ainda existe também o método ILPF, acrônimo de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, que em experiências realizadas em 2013 provou-se efetivo em reduzir as emissões da produção agropecuária a níveis quase zero.

 Ainda que as práticas de sustentabilidade apresentem altos custos iniciais, seus retornos no longo prazo não podem ser ignorados. Além do auxílio direto na proteção do meio-ambiente, existem ainda os retornos financeiros a partir da valorização da empresa, e do marketing que pode ser criado em tornos das práticas. Com isso, os custos de curto prazo podem ser amortizados em velocidade muito maior do que em uma situação “neutra”, onde tais práticas são uma simples demanda regulatória a partir de agências comerciais no Brasil e no resto do mundo - algo que pode se tornar realidade em um futuro bem próximo.



Exemplos em outras indústrias

Práticas sustentáveis já podem ser encontradas em aplicação no campo, principalmente entre agricultores de pequeno porte. E fora do mundo agropecuário, muitas indústrias têm procurado integrar cada vez mais valores sustentáveis à sua realidade.

Dentro do campo de tecnologia da informação, o gigante das mídias sociais Facebook foi o maior comprador de energia renovável do mundo de acordo com a agência de notícias Bloomberg, em seu esforço de reduzir em 75% suas emissões de gases estufa até o fim de 2020. A Betway Cassino, uma plataforma de jogos de cassino online que oferece várias modalidade de jogos de blackjack online, roletas e mais de 400 tipos de caça-níqueis, adota uma série de práticas sustentáveis em seus escritórios. Estas incluem a promoção de vídeo conferências para reduzir a realização de viagens aéreas de seus funcionários, e um esquema de compra de bicicletas usadas para a ida ao trabalho com descontos e uma taxa de financiamento sem juros. E no Brasil, um dos maiores exemplos é o Banco do Brasil, considerado a instituição financeira mais sustentável do mundo no ano passado, graças em grande parte à sua alocação de 193 bilhões de reais em “economia verde” através de linhas de crédito, investimentos e patrocínios de projetos dentro do ramo.

A figura acima mostra que alcançar estes altos postos nos rankings de sustentabilidade exige de fato altos investimentos. Mas o retorno é tão grande quanto, uma vez que o reconhecimento internacional a partir destas práticas sustentáveis pode se tornar em novos bons negócios, quando o marketing em cima destes fatores é bem utilizado.



Benefícios a curto, médio e longo prazos

A crise que acomete o Brasil e o resto do mundo serviu como um “anteparo” para as evoluções regulatórias que tem ficado cada vez mais restritivas para produtos alimentícios exportados para grandes mercados, principalmente os que se localizam na Europa e na Ásia. Mas uma vez que as coisas voltem ao normal, tal evolução dará seguimento.

Por isso, é de bom grado que as empresas com viés exportador antecipem-se a essas decisões, adotando desde já as práticas sustentáveis que reguladores irão em breve demandar das empresas que exportam seus produtos para estes territórios. Esse investimento antecipado pode muito bem se tornar uma fonte de maior valorização dos produtos comercializados, ainda mais se vierem associados a certificações de organizações internacionais que garantem a procedência sustentável dos produtos em questão.

Os custos destas operações estão longe de ser insignificantes. Mas os retornos em curto, médio e principalmente no longo prazo, que vão bem além do retorno financeiro sobre o investimento incorrido no presente, são incontestáveis e quiçá imensuráveis.
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