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Sexta-feira, 27 de novembro de 2020

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Sintap questiona receita e valor da Fethab repassado para Aprosoja

Da Redação - José Lucas Salvani

21 Out 2020 - 16:05

Foto: Reprodução

Sintap questiona receita e valor da Fethab repassado para Aprosoja
O Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal de Mato Grosso (Sintap/MT) questiona a receita e valor destinado a Aprosoja pelo Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), que poderia chegar a cifra de R$ 54 milhões anuais. Os dados foram obtidos em resposta a uma propaganda da Aprosoja que atacou os servidores públicos.

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Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo de produção de soja por hectare é de R$ 4,2 mil, com produtividade média de 62,5 por hectares e saca de 60 kg por R$ 150,00. A receita bruta é de R$ 9.375, enquanto o lucro é de R$ 5.175.

"Com isso, podemos concluir que quem planta 100 hectares de soja ganha líquido R$ 500 mil por ano, porém, a grande maioria das lavouras mato-grossenses é muito superior a esse tamanho, sendo que o ‘imposto’ pago conforme o Imea, é de apenas R$ 150 sobre um custo de R$ 4,2 mil por hectare, ou seja, 100 hectares plantados de soja daria um custo de apenas 15 mil reais de impostos e 500 mil reais de lucro", afirma o sindicato.

Dentro dos R$ 150 de imposto, R$ 6,20 é repassado para a Aprosoja por meio do Fethab. Em Mato Grosso, são mais de 9 milhões de hectares de soja, o que resultaria cerca de R$ 54 milhões anuais, dinheiro público que estaria indo para o setor privado, defende o sindicato.

"Neste caso é importante salientar que a administração pública tem a obrigação de dar transparência aos dados públicos, por que a Aprosoja não faz o mesmo? Divulgando sua prestação de contas. Quem cobra deve dar o exemplo", afirma o Sintap-MT.

Para o sindicato, esse seria o real motivo do agronegócio querer a Reforma Administrativa e somente depois a Reforma Tributária, para continuar pagando poucos impostos, já que "o servidor tem seus impostos descontados diretamente na fonte ao receber seu salário, e o agro paga poucos impostos proporcionalmente", diz. Neste contexto com dados obtidos do Imea, um produtor de soja com apenas 24 hectares receberia líquido o valor de 120 mil reais por ano, que dividido por 12 meses, resultaria em um salário líquido de 10 mil reais mensal.

"Quantos cidadãos e servidores públicos mato-grossenses recebem esse salário líquido por mês? Além de terem esses lucros altíssimos, praticamente não pagam impostos, então, quem lhes dá o direito de atacar os servidores que trabalham diuturnamente em atender o cidadão deste Estado e pagam proporcionalmente muito mais impostos?", diz a diretoria do sindicato, que ainda complementa, "apoiamos e desejamos o sucesso do agro, porém, entendemos que as riquezas devem ser melhores distribuídas".

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