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Quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

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Variação do câmbio supera logística e se torna vilã do campo em Mato Grosso

Da Redação - Viviane Petroli

25 Abr 2016 - 09:32

Foto: Viviane Petroli/Agro Olhar

Variação do câmbio supera logística e se torna vilã do campo em Mato Grosso
A variação do câmbio passou a ser o “pesadelo” do setor produtivo mato-grossense, que, apesar de estar terminando de colher a soja 2015/2016 e ainda aguardar o algodão e o milho, já começa a planejar a safra 2016/2017. A oscilação do dólar, que hoje aponta para queda, é considerada preocupante e delicada pelos produtores do Estado.

Em 2015, quando os planejamentos para a safra 2015/2016 começaram era possível encontrar o dólar na casa dos R$ 3,02, como em 19 de abril. Hoje, a moeda norte-americana vale R$ 3,55 (25 de abril), já tendo passado por R$ 4,16 em 19 de janeiro de 2016.

O dólar em alta pode trazer mais rentabilidade ao produtor, porém não como se espera diante o custo de produção. Para a safra 2016/2017 a última projeção apresentada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com projeção do dólar à R$ 3,97, apontava um custo de produção de aproximadamente R$ 3.304,59 para a safra 2016/2017, contra R$ 2.958,37 da safra 2015/2016. Os insumos são os maiores impactos, pois são cotados em dólar, e o desembolso de uma safra para outra deve saltar de R$ 1.756,13 para R$ 1.965,93.

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A variável do dólar é considerada preocupante e delicada pelo setor produtivo, de acordo com o segundo diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Sérgio Triches.

“Essa variação gera insegurança desde a aquisição dos insumos até a venda da soja. O custo de produção vem subindo nos últimos anos. O dólar prejudica na compra dos insumos e ao mesmo tempo melhora o preço na venda do produto. Porém, o câmbio quando reduz ele diminui o valor pago ao produtor, enquanto a queda nos insumos vem à conta gotas. O produtor hoje trabalha para equilibrar a questão das variáveis”, comenta Sérgio Triches.

As incertezas quanto ao dólar levou ao Grupo Amaggi a adquirir ainda em dezembro de 2015 os insumos para a safra 2016/2017. “Geralmente fazemos a compra dos insumos no primeiro trimestre do ano que se inicia, mas nós sentimos que havia uma oportunidade de antecipar as compras e as fizemos”, frisa o diretor da divisão Agro da Amaggi, Pedro Valente.

Logística e câmbio

Segundo Pedro Valente, a maior dificuldade do setor produtivo mato-grossense é quanto ao câmbio hoje. “É tão importante ou mais que a logística. Os produtores vão ter uma formação de lavoura em um determinado valor e na hora que ele for entregar é preciso ver como é que o câmbio estará, pois ele impacta diretamente na logística”.

O diretor da divisão Agro da Amaggi salienta que a logística mato-grossense nos últimos dois anos melhorou. “Melhorou e muito, por isso a conjunção da melhora da logística mais o câmbio, ao menos nestes últimos meses, andou bastante e não deixou que a renda do produtor diminuísse. Então, câmbio e logística estão muito interligados. Se o câmbio não tivesse andado, e ele andou muito nestes últimos meses, Mato Grosso em geral estaria na mesma situação que está o resto do país”.

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