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Domingo, 20 de setembro de 2020

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Stress hídrico eleva população de nematóides em lavouras de soja em Mato Grosso

Da Redação – Viviane Petroli

06 Fev 2016 - 09:55

Foto: Viviane Petroli/Agro Olhar

Nematóide de Galha

Nematóide de Galha

O veranico em Mato Grosso no período do plantio da soja 2015/2016 propiciou para uma elevação de nematóides nas lavouras do estado. O principal impacto com o aumento da presença da doença é a perda de produtividade, segundo pesquisadores. No Brasil não há estudos de biotecnologia para cultivares mais resistentes aos nematóides.

Os nematóides podem ser de vida livre, parasitas de plantas, de insetos ou de animais. No caso das plantas atacam seus órgãos subterrâneos, como raízes, bulbos, tubérculos e rizomas, bem como s órgãos aéreos, como caule, folhas e sementes. Tais organismo alimentam-se dos nutrientes encontrados nas plantas. Entre os sintomas estão da ação de fitonematóides plantas menores, amareladas, com pouca resistência à falta d'água ou a extremas temperaturas, bem como produção reduzida, raízes curtas, lesões internas e até mesmo morte prematura da planta.

Na soja, os nematóides mais comuns são o de Cisto (Heterodera glycines), Galhas (Meloidogyne spp.), Reniforme (Rotylenchulus reniformis) e Lesões Radiculares (Pratylenchus brachyurus).

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"Mato Grosso é dividido em regiões e os problemas de nematóides são da mesma forma. Na região Sul do estado, por exemplo, temos muitos problemas com nematóides de galha. Em áreas com rotação de soja e algodão a presença maior é de Rotylenchulus, que é um nematóide que tem se multiplicado na soja, mas a maior incidência dele é na cultura do algodão e está aumentando muito na região do Parecis , além do nematóide de cisto. Na região de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Nova Mutum o nematóide Lesões Radiculares e também um pouco de nematóide de cisto”, esclarece a pesquisadora da Fundação MT, Rosangela Silva.

De acordo com a pesquisadora, em um ano, como o constatado em 2015, com stress hídrico na semeadura, se o produtor plantou em um período de chuva e logo veio um veranico e as plantas estavam em fase vegetativa hoje se está colhendo entre 20 e 30 sacas por hectare em função de um conjunto de situações que ele (produtor) teve ali.

"A falta de chuva implica em um stress maior na planta e deixa ela mais favorável ao nematóide. O veranico propícia para o aumento da população. Ele aumenta muito a agressividade, porque, por exemplo, na região de Sapezal em que a chuva foi mais frequente há áreas com ocorrência de nematóide, o produtor já sabe da incidência dele, mas como choveu depois que ele plantou até agora você não vê "reboleiras" na lavoura, porque a planta conseguiu se estabelecer e conseguiu conviver bem com o ataque. Claro que isso em áreas que o produtor já vem fazendo o manejo. Mas, na região Médio-Norte não. Mesmo fazendo o manejo, está sofrendo mais em decorrência a falta de chuva", explica a pesquisadora.

Controle

O manejo é um dos meios de controle para a incidência de nematóides nas lavouras. "Esse ano produtores que vem já trabalhando com o aumento de palha, matéria orgânica nas áreas dele, ele conseguiu se sobressair muito mais com relação aos problemas de nematóides. Por quê? Se ele tem uma massa maior, formou mais umidade no solo a planta conseguiu se desenvolver melhor mesmo com a presença de nematóides", pontua a pesquisadora da Fundação MT.

De acordo com Rosangela, os produtores em Mato Grosso já vêm realizando um planejamento de plantas não multiplicadoras na entressafra, aumento de massa, rotação de cultura nas piores áreas, aonde ele possui principalmente areia. "Em áreas arenosas aonde o produtor que já vem trabalhando com manejo ele este ano viu o quanto é importante esse planejamento de plantas e cultivares também".

Questionada sobre cultivares resistentes ao nematóide a pesquisadora comenta que no Brasil não há estudos para o desenvolvimento de biotecnologias para tal, contudo nos Estados Unidos existem alguns trabalhos, porém ainda são iniciais.

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