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Safra 16/17 em Mato Grosso deverá ter influência da 'La Niña'; chuvas podem atrasar

Da Redação – Viviane Petroli

03 Fev 2016 - 08:25

Foto: Viviane Petroli/Agro Olhar

Safra 16/17 em Mato Grosso deverá ter influência da 'La Niña'; chuvas podem atrasar
Ao contrário da safra 2015/2016, que sofreu forte influência do El Niño, levando as lavouras a passar por forte stress hídrico, o ciclo 2016/2017 em Mato Grosso será regido pela La Niña. As primeiras projeções apontam que as chuvas na próxima safra podem atrasar nos primeiros dias de semeadura da soja. Especialistas revelam que El Niño está enfraquecendo e que chuvas entre fevereiro e março serão "compartilhadas" entre as regiões Centro-Oeste e Sul do país.

O fenômeno do El Niño, que castigou as lavouras de soja em Mato Grosso, levando a uma perda de aproximadamente 1,25 milhão de toneladas de oleaginosa, a princípio no estado, está com os seus "dias contados". Ele deverá influenciar o clima ainda durante o verão, provocando entre as regiões Centro-Oeste e Sul, nos meses de fevereiro e março, uma alternância nas chuvas, ou seja, uma semana chove no Centro-Oeste e na outra será a vez das águas aparecerem no Sul do país.

Essa alternância, segundo o agrometeorologista da Somar, Marco Antônio dos Santos, permitirá o andamento da colheita da soja e a semeadura do milho 2ª safra, que já está atrasado e deverá entrar março adentro com possibilidade de perdas em produtividade.

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"O El Niño irá permanecer pelo menos neste verão. Ele começará a enfraquecer no outono, quando ele entrará em um período de neutralidade. O problema fica para a região do Nordeste, em estados como Maranhão, Piauí e Pará, pois se você tem um El Niño agora mantendo chuvas nas regiões Sul e Centro-Oeste, essas regiões mais ao Norte do Brasil irão ficar sem chuva. A previsão para a região do Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí e até um pouco da Bahia é uma estiagem de pelo 20 dias, o que por um lado neste momento é bom, pois eles estão em baixo d'água, perdendo soja", comentou Marco Antônio ao Agro Olhar, durante o "Fundação MT em Campo 2016, realizado nos dias 29 e 30 de janeiro, em Nova Mutum.

De acordo com o agrometeorologista do Somar, como se ainda tem o El Niño ativo ou influenciando no clima as chuvas não irão se estender tanto em 2016, como o verificado nos últimos anos, quando se chegou a constatar em Mato Grosso a presença das águas até meados de junho e julho.

"Nós tivemos três anos com abril, maio e junho chovendo bem. Esse ano a tendência é que chova relativamente bem até a primeira semana de abril nas principais regiões produtoras de milho safrinha, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e São Paulo. Depois volta a chover somente a partir da segunda quinzena de maio", explana Marco Antônio.

A estiagem entre abril e maio, explica Marco Antônio, prejudicará ainda mais o milho, no caso o semeado após o dia 25 de fevereiro. "Como o plantio da soja foi atrasado e consequentemente a colheita está sendo atrasada, bem como a semeadura do milho será atrasada, vamos ter muito milho florescendo nesse período de estiagem. Lógico que o Paraná e o Sul do Mato Grosso do Sul é um região um pouquinho diferente que pode ter uma que outra pancada de chuva que salve o milho. Mas, se você pegar o Mato Grosso, esse período pode ser um entrave para a produção do milho safrinha".

O plantio ideal do milho, para que se tenha uma produtividade cheia, é até o dia 25 de fevereiro. Segundo Marco Antônio, o produtor que semeou o cereal até essa data "pode dormir tranquilo, porque as chuvas que cairão em Mato Grosso até a primeira semana de abril coincidirão com o florescimento do milho". Ele pontua, porém que "muitos produtores do estado entrarão março plantando, pois há contratos fechados. O produtor precisa plantar, arriscar após a janela ideal, porque ele precisa entregar o milho. Se eu fiz um contrato com você que vou entregar 10 mil sacas de milho, como eu não vou plantar? Então, eu prefiro plantar, tomar um prejuízo, mas eu vou tentar entregar o que eu vendi".

La Niña

O segundo semestre de 2016, se tudo caminhar do jeito que está sendo desenhado, conforme Marco Antônio, o Brasil terá o fenômeno La Niña. O segundo semestre é quando se está no final da entressafra e início de um novo ciclo produtivo, que começa em 15 de setembro com o fim do vazio sanitário da soja e início do plantio da oleaginosa.

"A safra 2016/2017 tem tudo para ser sobre influência da La Niña. A intensidade dela, durabilidade dela ainda está muito cedo para saber. Só conseguiremos saber lá por março, antes disso acho pouco provável falar sobre a intensidade dela. O que dá para falar é que nós vamos ter um período de entressafra mais seco com temperaturas com várias ondas de frio. Só que em Mato Grosso é complicado falar, porque aqui será quente. Será seco. Esse ano devido a La Niña há uma tendência das chuvas serem ausentes em Mato Grosso, principalmente julho, agosto e setembro".

Marco Antônio comenta ainda que, enquanto em Mato Grosso se terá um segundo semestre seco e quente, na região Sul há risco de várias ondas de frio e de geada. "Aqui, em Mato Grosso, as primeiras pancadas de chuva surgem quando começamos a plantar a soja, então provavelmente neste ano ela deve atrasar alguns dias, talvez venha só em outubro, se realmente confirmar a La Niña", acrescenta.

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