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Domingo, 15 de setembro de 2019

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À espera do USDA, mercado do milho opera próximo da estabilidade na manhã desta 4ª feira na CBOT

Notícias Agrícolas

10 Jun 2015 - 09:54

As principais posições do cereal exibiam perdas entre 0,25 a 0,75 pontos, por volta das 7h39 (horário de Brasília). O contrato julho/15 era cotado a US$ 3,64 por bushel, patamar levemente abaixo do registrado no fechamento do pregão anterior, de US$ 3,65 por bushel.

O mercado trabalha em compasso de espera para o novo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que será reportado nesta 4ª feira. Os participantes do mercado apostam que o órgão deverá revisar para cima a projeção para safra de milho da nova temporada, que poderia passar dos 346,22 milhões para 346,5 milhões de toneladas.

Para a produtividade das lavouras do cereal também é esperada uma elevação para 176,85 sacas por hectare. Em seu último boletim, o departamento estimou o rendimento das plantações em 176,55 sacas por hectare. Já os estoques de passagem, indicados em 44,35 milhões de toneladas em maio, poderá ficar próximo de 44,66 milhões de toneladas, ainda conforme estimativas dos investidores.

Enquanto isso, o clima permanece sendo o principal fator de sustentação aos preços da commodity. Em meio ao excesso de chuvas em algumas localidades, há especulações no mercado sobre a necessidade de replantio de algumas áreas e o tempo hábil para a realização dos trabalhos nos campos norte-americanos. Do mesmo modo, a recente fraqueza do dólar também tem sido um componente importante de suporte às cotações.

Confira como fechou o mercado nesta terça-feira:

Milho: No Brasil, preços permanecem mais baixos, mas exportações podem aliviar pressão no mercado

No Brasil, a perspectiva de uma grande oferta de milho e, consequentemente, um grande excedente do grão, tem pressionado os preços do cereal no mercado interno. Em meio ao clima favorável, as lavouras que, em muitas regiões foi semeada fora da janela ideal, apresentam boas condições e a perspectiva é que a segunda safra fique acima dos 50 milhões de toneladas nesta temporada, conforme estimativas dos analistas de mercado e consultorias.

Somente o estado de Mato Grosso, deverá colher mais de 20 milhões de toneladas do cereal, segundo projeção do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária). Em relação à safra passada, o número representa um crescimento de 15% na produção. Contudo, o pesquisador do Cepea, Lucílio Alves, destaca que, será preciso acompanhar o ritmo das exportações brasileiras do grão, que deverá influenciar o andamento dos preços.

"O MT já negociou cerca de 60% da sua produção antecipadamente, então estamos falando de 12 milhões de toneladas comprometidas. E se esse volume estiver direcionado para a exportação, poderíamos ter um alívio na pressão sobre as cotações domésticas, ao enxugar o mercado interno. Precisamos aguardar e ver se o ritmo dos embarques irá se confirmar, caso contrário, poderemos ter uma pressão ainda maior nos preços", explica Alves.

Ainda de acordo com o pesquisador, o line-up - programação para o carregamento de grãos - no Porto de Paranaguá está previsto em mais de 300 mil toneladas de milho no mês de junho. "Isso é só em Paranaguá e se tivermos essa confirmação, poderemos ter uma das melhores médias dos últimos 6 a 7 anos para o período. A questão é saber se os volumes negociados antecipadamente são destinados para as exportações", ressalta.

A exemplo de MT, os estados de Mato Grosso do Sul e Goiás também já possuem bons volumes comercializados antecipadamente. Entretanto, ainda não é possível quantificar a quantidade negociada. Já no Paraná, o volume negociado é de 16%, nível bastante elevado para esse período, ainda na visão do pesquisador.

"Além disso, temos os preços do milho na BM&F Bovespa abaixo dos patamares praticados em Chicago, o que traz competitividade ao produto brasileiro em detrimento ao americano. E os problemas na Argentina, o que faz com que os compradores venham para o Brasil. Olhando por esse lado, temos um cenário um pouco mais otimista e que pode contribuir para não termos condições precárias de preços, do ponto de vista do vendedor", ressalta o pesquisador.

Intervenção governamental

Em muitas localidades do Centro-Oeste e também na Bahia, os preços praticados já estão abaixo do valor mínimo fixado pelo Governo. "Esse ano, com as condições desfavoráveis na economia, o Governo também deverá aguardar como será as exportações, o enxugamento da oferta doméstica e depois intervir no mercado, se realmente for preciso. Com isso, poderemos ter uma intervenção governamental mais tarde e ainda mais atrasada para segurar as condições de caixa dos produtores", acredita Alves.

Ainda de acordo com o Cepea, na região de Passo Fundo (RS), a saca do cereal é cotada a R$ 21,00. Já em Cascavel (PR), o valor é de R$ 19,00 a saca do grão e, na região de Sorriso (MT), a cotação está abaixo de R$ 13,00 a saca. Nesta terça-feira (9), os valores praticados no mercado interno permaneceram estáveis, segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas. No Porto de Paranaguá, a saca do cereal ficou estável em R$ 28,00, para entrega em outubro/15.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho encerraram a sessão desta terça-feira (9) com ligeiras perdas, próximos da estabilidade. Em mais um pregão volátil, as principais posições do cereal exibiram quedas entre 0,25 e 0,50 pontos. O contrato julho era cotado a US$ 3,65 por bushel.

Ao longo do dia, as cotações do cereal encontraram suporte nos ganhos observados nos futuros do trigo e da soja, conforme informações das agências internacionais. A queda do dólar frente a outras moedas também contribuiu para oscilações positivas durante as negociações.

Entretanto, os investidores já começaram a se preparar para o relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que será divulgado nesta quarta-feira (10). Os analistas apostam em uma revisão positiva para a projeção da safra 2015/16 de milho. O órgão poderia indicar a produção em 346,5 milhões de toneladas, contra as 346,22 milhões de toneladas reportadas no relatório de maio.

Do mesmo modo, a produtividade também poderá ficar acima do indicado na última estimativa, de 176,55 sacas por hectare, e totalizar 176,85 sacas por hectare. Os estoques de passagem da temporada nova poderão subir de 44,35 milhões para 44,66 milhões de toneladas de milho.

Outro fator que também está no radar dos investidores é o comportamento do clima nos Estados Unidos. Com o excesso de chuvas em algumas regiões, já há especulações no mercado sobre possíveis áreas de replantio. Segundo o engenheiro agrônomo de Missouri - EUA -, Eduardo Beche, as chuvas têm sido uma preocupação dos produtores norte-americanos. "Os agricultores também estão preocupados com o milho, pois foi plantado mais cedo e pegou muita chuva", ressalta.
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