Em visita a Mato Grosso neste mês de janeiro, o biólogo Richard Rasmussen afirmou que o “dever de casa” da preservação ambiental em Mato Grosso tem sido bem feito. Ele disse que o Código Florestal brasileiro já é suficiente e deve ser respeitado, inclusive por empresas e países estrangeiros, sendo que acordos como a Moratória da Soja não podem ser permitidos.
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A moratória da soja é um acordo de 2006 firmado entre algumas empresas exportadoras, que veda a compra de soja plantada em áreas desmatadas da Amazônia, ainda que o desmate tenha ocorrido dentro da lei brasileira. No ano passado o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a Lei nº 12.709/2024, do Estado de Mato Grosso, que retira incentivos fiscais de empresas que aderirem à moratória, voltasse a ter vigência a partir de 1º de janeiro. Foi considerado o Código Florestal como marco legal para definir o que é produção lícita e sustentável no território nacional.
“Não existe outro país com esse Código Florestal. Se a gente respeitar esse Código Florestal, nós vamos progredir e nós temos que impor que os outros países respeitem esse nosso Código Florestal também. A Moratória da Soja foi um caso que não pode acontecer, que caiu agora, mas não pode acontecer”, disse Richard.
O biólogo defende, inclusive, que o Código Florestal seja seguido na Amazônia. A lei brasileira permite a exploração/supressão de 20% das propriedades localizadas nesta região.
“Se a Amazônia é tão rica, por que só tem gente pobre lá? Tem algo errado. Se a Amazônia é o lugar maravilhoso que todos dizem que é, por que é que lá tem o menor IDH do Brasil? A fórmula está errada. Faz 50 anos que nós estamos errando e está na hora da gente acertar esse processo com menos amor e mais ciência e pragmatismo”.
O biólogo elogiou a maneira como é feita a exploração da terra em Mato Grosso, que permitiu com que o estado crescesse e acumulasse mais riquezas.
“A lição está sendo feita direitinho. Aqui o cara tem o título da terra, ele é responsável por suas reservas legais, o que tem um custo, mas eles têm feito. E mesmo assim nós somos os líderes aqui no Mato Grosso na produção. Olha que coisa maravilhosa. Mesmo conservando essas florestas, 40% ou 80% dependendo do estado, somos líderes na produção de alimentos”.
Preservação sem romantismo
Richard Rasmussen afirmou que preservação ambiental e de espécies custa caro e não pode ser baseada em “romantismo”. Ele defende uma abordagem mais pragmática ao problema.
“A gente tem que abandonar o romantismo. (...) Não basta amor, tem que ter diálogo. Você não pode mais tratar as coisas só no 'eu amo os animais, então não como os animais'. Se você não come os animais, os animais deixam de ter importância e eles vão fazer o quê? Eles vão desaparecer. Vou te dar um exemplo. Eu amo os animais, não vou comer mais boi. O que vai acontecer com o boi? Vai desaparecer, acabou o boi. É isso é que você quer?”.
O biólogo afirmou que muitas pessoas têm uma visão “muito curta” do processo de preservação e que este trabalho, inclusive, muitas vezes tem que ser cruel.
“Amor é o que leva você a poder conservar uma espécie ou uma população, mas tem que passar por um processo de gerenciamento e termina no bolso, porque é caro fazer conservação. (...) Conservação, inclusive, muitas vezes é cruel. Às vezes tem que tirar um animal da natureza, meter numa gaiola, reproduzir para depois voltar. Eu não queria fazer isso, mas preciso. Eu tenho que matar um javali que não deveria estar aqui. Eu preciso fazer isso. Isso é conservação. Ninguém falou que ia ser um sonho noite de verão”.