O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou na quarta-feira (31) que a taxação sobre carne bovina anunciada pela China "não é algo tão preocupante" para o Brasil. A declaração foi dada em entrevista à TV Globo, após o governo chinês anunciar a aplicação de medidas de salvaguarda às importações globais do produto.
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A decisão cria uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. As exportações que ultrapassarem esse limite passarão a ser sobretaxadas em 55%. A medida começa a valer nesta quinta-feira (1º) e tem previsão de durar três anos. Mato Grosso lidera o rebanho bovino com 34,2 milhões de cabeças, ou 14,6% do efetivo nacional.
"Neste governo do presidente Lula, abrimos 20 mercados para carne bovina por todo o mundo, mais ampliações de mercados que já eram abertos. Portanto, o Brasil está relativamente preparado para intempéries comerciais", afirmou o ministro.
Ele acrescentou que a medida chinesa "não há discriminação com nenhum país do mundo, em especial ao Brasil, mas com o intuito de proteger a produção local".
De acordo com a nota divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo brasileiro age de forma coordenada com o setor privado e vai continuar em contato com o governo chinês tanto em nível bilateral quanto no âmbito da OMC para reduzir o impacto da medida e defender os interesses dos trabalhadores e produtores do setor brasileiro.
A decisão chinesa de aplicar salvaguarda às importações globais de carne bovina cria uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. As exportações que ultrapassarem esse limite vão ser sobretaxadas em 55%.
Medidas de salvaguarda estão previstas nos acordos da Organização Mundial do Comércio. Elas servem para lidar com os excessos de importação, e não têm relação com combate a práticas desleais de comércio. Quando aplicada, ela atinge importações de todas as origens, e não de um único país.
Atualmente, a China é o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por cerca de 52% das exportações do setor. O Brasil, por sua vez, é o maior fornecedor do produto ao mercado chinês. Mato Grosso é um dos maiores exportadores do produto.