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Sexta-feira, 23 de outubro de 2020

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Base florestal de MT quer consolidar raízes e crescer ainda mais

Autor: Geraldo Bento

20 Jan 2015 - 10:43

Em 2014 o setor de Base Florestal evoluiu em muitos aspectos. Consolidamos nossas bandeiras de manter a floresta em pé, do uso consciente da madeira, dos benefícios do manejo florestal, da sustentabilidade e da importância de nossos empresários. Já no que se refere ao desenvolvimento da atividade econômica - que representa a 4ª economia do Estado, sendo a principal renda de aproximadamente 40 municípios de Mato Grosso - houve pouco avanço devido ao difícil diálogo com o Governo do Estado, gerando prejuízo à cadeia produtiva e à comunidade onde atua.

Para o segmento florestal a questão tributária foi um dos entraves para o desenvolvimento da atividade econômica no estado. Por ser extremamente conturbada e com uma carga elevada em comparação a outros estados com potencial florestal, nos coloca em desigualdade de competição. Outro ponto é a dificuldade de operacionalizar junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que chegou ao fim de 2014 sem ter colocado em prática o Sistema Sema Virtual, implantado em outubro de 2013. Sistema esse que tinha o propósito de dar mais celeridade aos trâmites documentais da referida Secretaria junto ao segmento florestal.

Ainda assim, com todas essas dificuldades, realizamos várias ações que oportunizaram avanços importantes na organização do setor de Base Florestal. Dessa forma estreitamos relacionamentos com os órgãos, instituições organizadas, associados e com a sociedade em geral.

Vale ressaltar que, até novembro de 2014, o setor florestal movimentou US$ 86,024 milhões com a venda de 85,659 mil toneladas de produtos madeireiros para o mercado internacional. As negociações no mercado interno oportunizaram a arrecadação de R$ 39 milhões pelo governo do Estado sobre a atividade madeireira, com a cobrança de ICMS nos primeiros 8 meses de 2014, conforme dados da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). Destinados ao Fethab, foram R$ 16,052 milhões, assegurados de janeiro a outubro do último ano, sendo 1,11% a mais que o valor total pago no mesmo período de 2013.

O ano de 2015 será o momento de consolidar a posição do setor de Base Florestal no mercado consumidor nacional e internacional. Ocupar espaço como produtor e gerador de riquezas para a sociedade e fortalecer sua imagem junto às instituições e imprensa.

Para isso, contamos com a aplicação do Programa de Desenvolvimento Florestal Sustentável de Mato Grosso (PDFS). Projeto que será responsável pelo aumento da participação do setor florestal, em torno de 20% nos próximos 20 anos, no PIB de Mato Grosso. Por meio da Resolução 14/2014, publicada no Diário Oficial em 04 de dezembro, foi oficialmente criado o Grupo de Trabalho (GT), responsável por gerir o PDFS. O grupo estará sob a coordenação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).

O objetivo do PDFS é o de promover o desenvolvimento da cadeia produtiva da madeira no Estado visando o aumento da área do manejo sustentável e a otimização das operações de manejo e produção das florestas nativas com as finalidades de aumentar a disponibilidade industrial e ganhar escala; criar condições para otimizar as operações florestais; diminuir os custos de transação; e, promover a utilização de espécies secundárias, através do desenvolvimento de produtos e a agregação de valor, para competir no mercado.

Também ajudar na ampliação da área de plantações florestais e melhoria da produtividade e competitividade das florestas plantadas, com o propósito de aumentar a oferta de madeira competitiva para a indústria florestal e para geração de energia; visar ganhos de competitividade, com base no desenvolvimento tecnológico, nos aspectos do melhoramento genético, das melhorias nas técnicas de plantio, fertilização e de manejo e; agregar valor na base industrial para aumentar a participação no mercado nacional e internacional, entre outras.

É por esses e outros motivos que o segmento busca espaço para crescer e, consequentemente, continuar fazendo a manutenção da floresta e gerando mais do que os 100 mil empregos diretos e indiretos que atualmente oferta. Com o segmento se fortalecendo através da industrialização é que as cidades ganharão mais desenvolvimento e os jovens mais oportunidades de trabalho dentro de seu município, evitando assim o escape de jovens para polos industriais de outros estados e o fortalecimento da concorrência. É necessário evitar que Mato Grosso, atualmente o terceiro maior produtor nacional de madeira em tora, segundo o IBGE, com volume anual de 1,033 milhão de metros cúbicos, fique à margem de uma produção forte e competitiva no mercado brasileiro.



* Geraldo Bento é presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem)
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